Todo sábado da minha vida começou numa sexta à noite.
Meu pai me levava junto pra comprar a carne. Ele esperava o açougueiro trazer a peça, virava ela na mão, e devolvia. Levei vinte anos pra entender o que ele estava vendo.
Projeto conceito da Inshock: casa de carnes fictícia. Preços, prazos e horários mostrados aqui são ilustrativos.
Ele nunca me explicou. Só me deixou olhar.
Meu pai não era açougueiro. Era um homem que fazia churrasco todo sábado e não abria mão de escolher a carne ele mesmo.
Sexta à noite ele me levava junto. Nunca apontava, nunca pedia corte pelo nome. Esperava o açougueiro trazer a peça, virava na mão e devolvia. Às vezes três vezes seguidas, e eu ficava com vergonha ali do lado.
Um dia percebi que estava fazendo igual. Recusando peça sem conseguir explicar por quê. A mão tinha aprendido antes da cabeça.
Quando os amigos começaram a perguntar onde eu comprava a carne, a resposta honesta era longa demais.
Não era onde eu comprava. Era o que eu recusava. Abri essa casa pra essa resposta caber numa palavra. Dorival Filho, no balcão desde 2009
A carne que eu aceito só quer dizer alguma coisa porque você sabe a que eu recusei.
Essas peças chegaram aqui essa semana e voltaram no mesmo caminhão. O motivo, na minha letra.
Seis peças e o que eu penso de cada uma delas.
Esses são os que eu levaria hoje (preços ilustrativos). Ver o balcão inteiro, com as 26 peças
Eles não falam da carne. Falam do sábado que tiveram.
Pedi uma picanha e ele me disse pra levar fraldinha, que estava melhor naquele dia. Vendeu mais barato do que eu ia gastar. Voltei toda semana desde então.
Levei o ancho maturado achando que era firula. Não era. Meu sogro, que reclama de tudo, ficou quieto o almoço inteiro.
Encomendei pra sessenta pessoas no casamento da minha filha. Ele foi lá em casa ver a churrasqueira antes de fechar o pedido. Ninguém faz isso.
Fala comigo a qualquer hora, inclusive às três da manhã.
A Íris atende aqui pelo Sábado. Ela sabe o que tem na câmara hoje, sabe o que eu recusei essa semana e sabe o que eu pegaria pro seu almoço. Quando o assunto exige a minha mão, ela me chama.
Assistente simulada, respostas roteirizadas. Nada é enviado a servidor; o que ela lembra fica só neste aparelho. Preços, prazos e horários que ela cita são ilustrativos.
Boa noite. Sou a Íris, atendo aqui pelo Sábado.
Me diz quantas pessoas e eu já falo o que eu pegaria hoje. Se quiser saber como funciona a maturação na câmara, também falo.
Coisa que eu explico no balcão e cansei de repetir.
Peça grande demais é remendo. Tem alcatra junto, e você paga preço de picanha por uma carne que não é.
Aos 14 dias você ganha maciez. Aos 28 começa o sabor. Depois dos 45 é gosto adquirido e eu aviso antes de vender.
Duas peças do mesmo boi saem diferentes daqui, e o motivo é que eu leio cada uma antes de encostar a faca.
Me diz quem vai, que eu digo quanto comprar.
A média é 350 gramas por pessoa. Só que média não serve pra nada se a sua turma não é média. Homem come mais que mulher, criança come metade, e sempre tem um que come por dois.
Isso é o que eu levaria. Se a sua turma come mais pão de alho que carne, me fala que eu ajusto. Os preços usados na conta são ilustrativos (projeto conceito).
Você não precisa entrar pra saber. Dá pra ver da calçada.
Na lousa do lado de fora está o que voltou essa semana, escrito na minha letra. Pela vitrine você vê a câmara com as peças penduradas. Quem passa e não entra, pelo menos sabe o que acontece aqui dentro.
Onde fica
Endereço fictício, projeto conceito.
Quando abre
- Terça a sexta 9h às 19h
- Sábado 7h às 15h
- Domingo 7h às 12h
- Segunda fechado
Horários fictícios (projeto conceito).
Encomenda
Peça grande e maturação sob medida têm prazo. Costela de 45 dias você encomenda com mês e meio (prazo ilustrativo).